quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COPOM Interrompe Ciclo de Cortes e Mantém Juros em 7,25% ao Ano

Por Eduardo Fernandes da Paz


Decisão veio em linha com aposta maciça de economistas dos bancos.
Rendimento da poupança fica estável e juro real termina ano abaixo de 2%.

Depois de dez cortes consecutivos na taxa básica de juros da economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) – em sua última reunião de 2012 – manter a Selic em 7,25% ao ano, na mínima histórica. A decisão foi unânime.
A manutenção dos juros confirmou a aposta maciça dos economistas dos bancos. A percepção do mercado de que os juros seriam mantidos neste mês se deve a uma indicação do próprio BC. Na ata do último encontro do Copom, em outubro, o BC informou que a redução de juros realizada naquele mês deveria ser  "ULTIMA DO CICLO". Informou ainda que os juros devessem permanecer estáveis por um período "suficientemente prolongado" de tempo.
 


A previsão dos analistas é que a taxa básica continuará estável no atual patamar de 7,25% ao ano, pelo menos, até o final de 2013. A aposta dos economistas dos bancos é que os juros serão novamente alterados somente em janeiro de 2014 – quando avançariam para 7,75% ao ano.

Explicação
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Sistema de metas de inflação
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ao subir os juros, o BC atua para controlar a inflação e, ao baixá-los, julga, teoricamente, que a inflação está compatível com a meta.

Para 2012, 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Neste momento, o BC já está fixando a taxa básica de juros com base no cenário inflacionário esperado para o próximo ano. Isso porque movimentos nos juros básicos demoram cerca de seis meses para terem impacto pleno na economia.

Mesmo com o fim do ciclo de corte de juros nesta semana, o mercado financeiro não acredita que o Banco Central conseguirá atingir a meta central de inflação em 2013. A previsão da maior parte dos economistas dos bancos é de que o IPCA deverá somar 5,4% no próximo ano, bem acima da meta central de 4,5%, mas dentro do intervalo de tolerância de dois pontos percentuais.

O economista-chefe da Mauá Investimentos, Rodrigo Melo, lembra que o BC está trabalhando com inflação próxima de 5% para 2013, conforme informação do último relatório de inflação, com um "balanço de riscos favorável" por conta da crise financeira internacional - que tende a gerar um crescimento mundial menor, o que contribui para menos pressões inflacionárias.

Rendimento da poupança
A manutenção dos juros básicos por parte do Banco Central impede nova queda na rentabilidade da caderneta de poupança. Pelas regras definidas pelo governo neste ano, a poupança passou a ser atrelada aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial, quando a taxa básica estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Com juros em 7,25% ao ano, a poupança continuará sendo remunerada em 5,07% ao ano mais TR. Antes da mudança das regras, a poupança rendia, pelo menos, 6,17% ao ano, mais TR. Na poupança, porém, não é cobrada taxa de administração e nem Imposto de Renda (IR) - ao contrário dos investimentos em fundos. Os recursos podem ser sacados a qualquer momento.

"Para aplicações menores que seis meses, a poupança é a melhor opção devido à isenção de IR. Para prazos maiores de seis meses, títulos do tesouro indexados a Selic (LFT) ou ao IPCA (NTN-B) são interessantes. Outra dica é investir em bancos renomados que oferecem mais que 95% do CDI", avaliou o professor da Escola de Economia da FGV-SP, Samy Dana.

Juros reais abaixo de 2% ao ano
Com a taxa básica em 7,25% ao ano, o Brasil passou a ter juros reais (após o abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses) de 1,8% ao ano, segundo levantamento dos economistas Jason Vieira e Thiago Davino.

Com isso, a taxa real de juros brasileira ficou abaixo da meta da presidente Dilma Rousseff (2% ao ano), patamar que também é mais próximo da média internacional. A taxa real de juros de 40 países pesquisados pelos economistas está negativa em 0,5% ao ano.

 

COMENTÁRIO:

Enfim, venceu a tese do Equilíbrio. Apesar da maioria dos apostadores seguir na linha da manutenção, por fundamentos fortes e diversos, havia uma pequena e fraca minoria que ainda especulava a queda de 0,25 na Selic. Mas com essa decisão o Copom manteve o bom senso teórico e técnico em matéria de economia, com uma leitura correta da micro e macro economia.

As projeções agora ficam mais clara para o ano de 2013, sabemos como o mercado deve se comportar pelo menos até o primeiro trimestre do exercício vindouro, caso não aconteça nenhuma influência determinante no cenário mundial ou local.

Já podemos tentar vaticinar ou descortinar o futuro próximo em âmbito econômico e financeiro, mas se vamos lograr êxito e outro papo, pois isso depende do equilíbrio dos agentes que fazem o mercado.

 
Fonte: G1-Brasília. Top of Form 1
Bottom of Bo

domingo, 9 de setembro de 2012

OS FUNDOS SERÃO OS BANCOS DO FUTURO?

Por Eduardo Fernandes da Paz
Às vezes acho um saco esse negócio de construir cenários de longo prazo, pois quase sempre nos esquecemos de quem acertou ou ignoramos quem errou nas projeções das possibilidades, logo não valorizamos como devíamos o resultado das hipóteses, pois cenários são circunstâncias de possibilidades.
Mesmo assim, criei um tempo sem tê-lo, nessa ocasião (07/09/2012), para me aventurar no exercício da indicação de uma hipótese de longo prazo, onde muitos não estão querendo debater, apesar de conviverem umbilicalmente com essa realidade.
Tenho observado cuidadosamente no meu dia a dia, que tem aumentado muito o número de POUPADORES no Mercado. Poupadores esses, que tem se estruturado em Fundos dos mais variados, para atender uma demanda que não vem sendo atendida pelos mecanismos conservadores da Atividade Financeira extremamente concentradas, que aqui aponto como sendo os Bancos Tradicionais: Comerciais ou Múltiplos.
A Questão do Crédito merece ser revista, isso é ponto pacífico, mas se não for, pelo menos é maioria, ou deveria ser!
Acompanho alguns “case” de Empresas que tiveram problema de Cadastro no passado e que até o momento pagam imerecidamente um preço muito alto por isso, mesmo tendo feito o dever de casa, quando ajustaram suas contas. Não estou pregando o Calote Civil, mas se o mundo mudou, e mudou de verdade, o "Sistema Operandis" também deveria ter mudado.  
Fico pensando qual seria a solução: Adequar a análise de crédito da Empresa priorizando o realinhamento do perfil da dívida e o investimento ou o Empreendedor aparelhar um novo CNPJ para captar Recursos?
A segunda solução vem acontecendo toda hora, apesar de alguns hipocritamente não quererem reconhecer. Já a primeira, seria uma solução Salomônica para TOMADORES E POUPADORES, onde Empresas seriam reabilitadas para operarem no mercado formal minimizando o custo financeiro da sua captação.
Alguns dirão essa cara é louco, pois qual a garantia desse modelo funcionar, se vimos o que deu com a Crise Norte Americana em relação ao Crédito,no caso específico das Hipotecas.
Respondo com muita segurança, a maturidade do Mercado de hoje não é aquela nem de longe.
Estou falando de Análise de Crédito, com o ingrediente do Exame Qualitativo,   por extensão de Empresários Capazes, Conscientes e Comprometidos!
Quando a Lei apena alguém em “latu sensu”, prevê o tempo da pena!
Não é possível o Empreendedor ficar recluso do Sistema quando já tenha pago sua pena de ficar anos e anos fora do Sistema Formal de Crédito! E é o que vem acontecendo em sua maioria.
Não estou defendo os 171, “os Fraudulentos, os Conversas Fiadas, os Estelionatários, os Falidos Contumazes, os Corruptos e Corruptores”, esses e outros têm ou deveriam ter o limite e peso da Lei. Estou falando de pessoas de bem e do bem que merecem uma nova oportunidade de Contratar Captação de Recursos via Mercado Formal. 
A boa notícia é que mesmo timidamente alguns Fundos já começaram a perceber a importância de Avaliar a Qualidade e não somente a Quantidade dos Restritivos, mas infelizmente os Bancos em sua unanimidade ainda não!
Esse segmento apesar de pequeno vem sinalizando positivamente na revisão de alguns conceitos e práticas, e oxalá possa contribuir também para elaboração de leis que atendam as expectativas de um Mundo mais Cooperativo e Inclusivo.
Se esta realidade se estabelecer e for ampliada de agora por diante, será que teremos dúvidas em afirmar que os Fundos serão os Bancos do Futuro?