quinta-feira, 14 de março de 2013

Banco Central aumenta projeção para inflação na ata do Copom

As projeções apresentadas na ata divulgada hoje estão acima do centro da meta para a inflação, de 4,5%


O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou em sua ata sobre a reunião da semana passada que as projeções para a inflação de 2013 aumentaram em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro, tanto no cenário de referência como no de mercado. Nos dois casos, as projeções estão acima do centro da meta de 4,5% para a inflação.
Houve mudança em um parâmetro para cálculo do cenário de referência, o câmbio, cuja taxa caiu de R$ 2,00 em janeiro para R$ 2,05 em março.
Para 2014, a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de janeiro e se encontra acima do valor central da meta, em ambos os cenários. Na ata de reunião de janeiro, o Copom dizia que, para 2014, em ambos os cenários, a projeção de inflação estava "ligeiramente acima do valor central da meta".
O Copom ponderou que "incertezas remanescentes", de origem externa e interna, cercam o cenário prospectivo da autoridade monetária e recomendam que a política monetária deva ser administrada "com cautela". O Copom avaliou no parágrafo 28 que a maior dispersão observada recentemente de aumentos de preços ao consumidor contribui para que a inflação mostre resistência.
No documento divulgado em janeiro, ao fazer uma análise semelhante, o BC havia considerado que essa difusão tendia a contribuir para essa resistência e agora já diz que contribui para o movimento. O BC cita como dispersão pressões sazonais e localizadas no segmento de transportes, entre outros fatores. Para o Comitê, essa dinâmica desfavorável pode não representar um fenômeno temporário, mas "uma eventual acomodação da inflação em patamar mais elevado".
Juro
A ata da reunião do Copom repetiu a avaliação apresentada no comunicado que se seguiu à decisão unânime de manter a taxa básica de juros (Selic), em 7,25% ao ano: "O Copom irá acompanhar a evolução do cenário macroeconômico até sua próxima reunião, para então definir os próximos passos na sua estratégia de política monetária". O documento foi divulgado pelo Banco Central nesta quinta-feira.
Assim como no comunicado, o Copom retirou da ata também a expressão "período de tempo suficientemente prolongado", que constava do parágrafo 35 do documento de janeiro e que dizia que no contexto à época, "o Copom entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta".
Superávit
O Copom manteve a "hipótese de trabalho" de que o superávit primário do Brasil em 2013 será de R$ 155,9 bilhões, conforme os parâmetros da Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO). A projeção consta da ata da reunião da semana passada divulgada há pouco pela autoridade monetária. Para 2014, admite-se, como hipótese, a geração de superávit primário "em torno" de 3,1% do Produto Interno Bruto (PIB).


Agência Estado

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

COPOM Interrompe Ciclo de Cortes e Mantém Juros em 7,25% ao Ano

Por Eduardo Fernandes da Paz


Decisão veio em linha com aposta maciça de economistas dos bancos.
Rendimento da poupança fica estável e juro real termina ano abaixo de 2%.

Depois de dez cortes consecutivos na taxa básica de juros da economia brasileira, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central decidiu nesta quarta-feira (28) – em sua última reunião de 2012 – manter a Selic em 7,25% ao ano, na mínima histórica. A decisão foi unânime.
A manutenção dos juros confirmou a aposta maciça dos economistas dos bancos. A percepção do mercado de que os juros seriam mantidos neste mês se deve a uma indicação do próprio BC. Na ata do último encontro do Copom, em outubro, o BC informou que a redução de juros realizada naquele mês deveria ser  "ULTIMA DO CICLO". Informou ainda que os juros devessem permanecer estáveis por um período "suficientemente prolongado" de tempo.
 


A previsão dos analistas é que a taxa básica continuará estável no atual patamar de 7,25% ao ano, pelo menos, até o final de 2013. A aposta dos economistas dos bancos é que os juros serão novamente alterados somente em janeiro de 2014 – quando avançariam para 7,75% ao ano.

Explicação
Ao fim do encontro, o BC divulgou a seguinte frase: "O Copom decidiu, por unanimidade, manter a taxa Selic em 7,25% a.a., sem viés. Considerando o balanço de riscos para a inflação, a recuperação da atividade doméstica e a complexidade que envolve o ambiente internacional, o Comitê entende que a estabilidade das condições monetárias por um período de tempo suficientemente prolongado é a estratégia mais adequada para garantir a convergência da inflação para a meta, ainda que de forma não linear".

Sistema de metas de inflação
Pelo sistema de metas que vigora no Brasil, o BC tem de calibrar os juros para atingir as metas pré-estabelecidas, tendo por base o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Ao subir os juros, o BC atua para controlar a inflação e, ao baixá-los, julga, teoricamente, que a inflação está compatível com a meta.

Para 2012, 2013 e 2014, a meta central de inflação é de 4,5%, com um intervalo de tolerância de dois pontos percentuais para cima ou para baixo. Deste modo, o IPCA pode ficar entre 2,5% e 6,5% sem que a meta seja formalmente descumprida.

Neste momento, o BC já está fixando a taxa básica de juros com base no cenário inflacionário esperado para o próximo ano. Isso porque movimentos nos juros básicos demoram cerca de seis meses para terem impacto pleno na economia.

Mesmo com o fim do ciclo de corte de juros nesta semana, o mercado financeiro não acredita que o Banco Central conseguirá atingir a meta central de inflação em 2013. A previsão da maior parte dos economistas dos bancos é de que o IPCA deverá somar 5,4% no próximo ano, bem acima da meta central de 4,5%, mas dentro do intervalo de tolerância de dois pontos percentuais.

O economista-chefe da Mauá Investimentos, Rodrigo Melo, lembra que o BC está trabalhando com inflação próxima de 5% para 2013, conforme informação do último relatório de inflação, com um "balanço de riscos favorável" por conta da crise financeira internacional - que tende a gerar um crescimento mundial menor, o que contribui para menos pressões inflacionárias.

Rendimento da poupança
A manutenção dos juros básicos por parte do Banco Central impede nova queda na rentabilidade da caderneta de poupança. Pelas regras definidas pelo governo neste ano, a poupança passou a ser atrelada aos juros básicos da economia, rendendo 70% da aplicação, mais a Taxa Referencial, quando a taxa básica estiver abaixo de 8,5% ao ano.

Com juros em 7,25% ao ano, a poupança continuará sendo remunerada em 5,07% ao ano mais TR. Antes da mudança das regras, a poupança rendia, pelo menos, 6,17% ao ano, mais TR. Na poupança, porém, não é cobrada taxa de administração e nem Imposto de Renda (IR) - ao contrário dos investimentos em fundos. Os recursos podem ser sacados a qualquer momento.

"Para aplicações menores que seis meses, a poupança é a melhor opção devido à isenção de IR. Para prazos maiores de seis meses, títulos do tesouro indexados a Selic (LFT) ou ao IPCA (NTN-B) são interessantes. Outra dica é investir em bancos renomados que oferecem mais que 95% do CDI", avaliou o professor da Escola de Economia da FGV-SP, Samy Dana.

Juros reais abaixo de 2% ao ano
Com a taxa básica em 7,25% ao ano, o Brasil passou a ter juros reais (após o abatimento da inflação prevista para os próximos 12 meses) de 1,8% ao ano, segundo levantamento dos economistas Jason Vieira e Thiago Davino.

Com isso, a taxa real de juros brasileira ficou abaixo da meta da presidente Dilma Rousseff (2% ao ano), patamar que também é mais próximo da média internacional. A taxa real de juros de 40 países pesquisados pelos economistas está negativa em 0,5% ao ano.

 

COMENTÁRIO:

Enfim, venceu a tese do Equilíbrio. Apesar da maioria dos apostadores seguir na linha da manutenção, por fundamentos fortes e diversos, havia uma pequena e fraca minoria que ainda especulava a queda de 0,25 na Selic. Mas com essa decisão o Copom manteve o bom senso teórico e técnico em matéria de economia, com uma leitura correta da micro e macro economia.

As projeções agora ficam mais clara para o ano de 2013, sabemos como o mercado deve se comportar pelo menos até o primeiro trimestre do exercício vindouro, caso não aconteça nenhuma influência determinante no cenário mundial ou local.

Já podemos tentar vaticinar ou descortinar o futuro próximo em âmbito econômico e financeiro, mas se vamos lograr êxito e outro papo, pois isso depende do equilíbrio dos agentes que fazem o mercado.

 
Fonte: G1-Brasília. Top of Form 1
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